terça-feira, 28 de janeiro de 2020
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
[0691] Faleceu ontem em Mafra, o nosso amigo e colega de escrita Nuno Rebocho
Nuno Rebocho (1945, Queluz, Sintra, Portugal – 12.Janeiro.2012, Mafra, Portugal) foi um escritor, poeta, homem da rádio e jornalista. Participou na luta contra o Estado Novo de Salazar, chegando a ser preso durante cinco anos, por motivos políticos, na cadeia do Forte de Peniche.
Iniciou sua carreira na página juvenil do Diário de Lisboa, em 1963. Foi redactor da revista O Tempo e o Modo e da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, porém só viria a ingressar no jornalismo profissional em Abril de 1974 em jornais diários como o Jornal Novo, Tribuna, A Tarde, Jornal de Economia, O Século e nos semanários Vida Mundial, Novo Observador, O Sinal, Dez de Junho e Ideal. E também em revistas especializadas - Pesca & Navegação, TT-Todo o Terreno, Motor (foi director do suplemento de Turismo). Presença activa na imprensa regional - Notícias da Amadora, Comércio do Funchal, foi chefe de redacção de A Ponte (Montijo) e A Nossa Terra (Cascais). Desempenhou funções diversas - redactor principal, chefe de secção, sub-chefe de redacção, chefe de redacção. Em 1989 enveredou pelo jornalismo radiofónico, colaborando com Moliceiro FM (Aveiro), cronista da Rádio Comercial (programa de Turismo, de Carlos Amorim; programa de Rui Castelar) e de comentador. Ingressou na RDP (Radiodifusão Portuguesa), destacado para a Guarda durante um ano. Depois, foi editor, chefe do departamento de Informação Especial e chefe de redacção da RDP - Antena 2. Integrou conselhos de redacção e a Comissão de Trabalhadores da empresa radiofónica. Em Cabo Verde, colaborou com o semanário Horizonte, com Expresso das ilhas e com Liberal on-line (de que foi delegado em Lisboa) e foi assessor da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago. Integrou os órgãos dirigentes da AJEPT, Associação de Jornalistas Portugueses de Turismo. Participou com poesia no tríptico de serigrafias de Silva Palmeira "A Lisboa", Centro Português de Serigrafias. Lisboa 1997. Foi comissário da Bienal do Mediterrâneo, Dubrovnik, Croácia, 1999. Animador cultural, organizou A Festa da Poesia, na Galeria Artdomus, S. Pedro de Sintra em 2000-2001; As Noites da Liberdade, na Biblioteca Museu da República e Resistência, Lisboa em 2005; A Poesia à Mesa, no restaurante Panela de Barro, Carnaxide em 2006. Foi vice-comissário da Festa da Poesia - Encontros de Poetas Portugueses, na Figueira da Foz em 2003/4/5. Organizou o Dia Mundial da Poesia, em 2006, em Penamacor. Participou nas Jornadas Poéticas de Artiletra (Cabo Verde), 2007; em Correntes d'Escrita, Póvoa do Varzim, 2007; na I Bienal de Cultura Lusófona-Encontro de Culturas, Malaposta-Odivelas 2007. Foi membro efectivo da AVSPE (Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores).
O seu primeiro trabalho póstumo será o prefácio do livro "Poemas para a hora de ponta", editora Cordel d'Prata, de Joaquim Saial, a sair em Vila Viçosa a 25 deste mês de Janeiro e a 15 de Fevereiro em Lisboa.
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
terça-feira, 29 de outubro de 2019
[0688] É hoje!
IM estará presente e dará notícia do lançamento, como seria de esperar. Quanto ao caderninho, é delicioso e já lido e relido há semanas por nós. Tem o esquisito preço de 4,10€ mas isso só lhe dá mais sabor. Um grande pequeno livro, na verdade.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
[0686] Novo livro de Nuno Rebocho está pronto e prestes a sair
Com 14 poemas-memória da sua passagem pela Córsega, prefácio de Mário Matos e desenhos de João Prates, Sairá no final deste mês, em Lisboa, no Centro InterculturaCidade, em Lisboa. Iremos dando notícias.
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
[0684] Polissemias - Recital de Poesia Moçambicana na UCCLA
Vai ter lugar no dia 25 de Setembro, pelas 18 horas, no auditório da UCCLA, um recital de poesia moçambicana protagonizado pelo jornalista, poeta, escritor e professor universitário moçambicano Raul Calane da Silva, que assinala o 50.º aniversário da sua carreira literária.
As palavras sentidas na nossa língua comum por diversos poetas moçambicanos tomarão o palco deste recital.
Calane da Silva vai ler alguns dos seus poemas, e aproveitará para homenagear outros poetas na eternidade da sua própria fala, como José Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui Knopfli, António Quadros, Sebastião Alba, Rui Nogar, Reinaldo Ferreira, entre outros, e contando ainda com um breve apontamento musical.
As palavras no corpo literário da escrita, onde cabe a luz da poesia, multiplicam-se de significados e desdobram-se metaforicamente coloridas: por isso são belas, são polissémicas.
Raul Calane da Silva é presidente do Conselho Científico do IILP (Instituto Internacional de Língua Portuguesa) da CPLP e ex-diretor do Centro Cultural Brasileiro em Maputo.
Morada:
Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa
Autocarros: 714, 727 e 751 - Altinho, e 728 e 729 - Belém
Comboio: Estação de Belém
Elétrico: 15E - Altinho
Coordenadas GPS: 38°41’46.9″N 9°11’52.4″W
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
[0683] Mais um interessante contributo do nosso confrade de letras Nicolau Saião
Nicolau Saião e Juan Ramón Jiménez
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| 1.ª edição, 1914 |
Faz neste Agosto 20 anos que recebi, pela primeira vez, convite para participar em Moguer - terra natal de Juan Ramón Jiménez - numa celebração do grande autor de "Platero y yo" e de tantas outras obras de concepção superior que chegaram a granjear-lhe o Nobel.
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| Edição portuguesa, 1967 |
Nesses tempos salubres em que eu ainda me dava a percorrer a Estremadura e a Andaluzia tanto quanto o podia fazer, com fortuitas incursões por outros lugares mais afastados da España que sempre tenho estimado como ibérico que sou, lá fui eu à alegre terra das figueiras e dos dias ensolarados onde paira a sombra do nobre escritor de "Voces de mi copla", homem de firme querer e duma só cara que, por mor da sua oposição ao regime franquista, foi obrigado a exilar-se nos EUA (Porto Rico) e aí faleceu em 1958 com 77 anos.
Recordando essa viagem e esse evento, eis que aqui vos deixo, com a estima e o abraço cordial de sempre, um belo e comovente poema que traduzi por essa época, bem como uma obra plástica que constituiu a minha participação nessa celebração - e que depois foi transformada num painel de azulejos de razoáveis dimensões (135 cm X 210 cm) patente num dos quartos de baixo da Casa da Muralha, em Arronches.
Nicolau Saião
Juan Ramón Jiménez (Moguer, 1881 – Porto Rico, 1958)
A DERRADEIRA VIAGEM
Tradução de Nicolau Saião
…E partirei. E ficarão os pássaros
cantando;
e ficará o meu quintal, com a sua árvore verde
mais o seu poço branco.
O céu, todas as tardes, estará azul e calmo;
e tocarão, como esta tarde estão tocando
os sinos do campanário.
Irão morrendo aqueles que me amaram;
e a cada ano se fará novo o meu povoado;
e no tal recanto do meu quintal florido e calado
o meu espírito vagueará, nostálgico…
Eu partirei; e ficarei só, sem lar, sem a árvore
verde, sem o poço branco
sem o céu azul e calmo…
E ficarão os pássaros, cantando.
EL VIAJE DEFINITIVO
… Y yo me iré. Y se quedarán los pájaros
cantando;
y se quedará mi huerto, con su verde árbol,
y con su pozo blanco.
Todas las tardes, el cielo será azul y plácido;
y tocarán, como esta tarde están tocando,
las campanas del campanario.
Se morirán aquellos que me amaron;
y el pueblo se hará nuevo cada año;
y en el rincón aquel de mi huerto florido y encalado,
mi espíritu errará nostáljico…
Y yo me iré; y estaré solo, sin hogar, sin árbol
verde, sin pozo blanco,
sin cielo azul y plácido…
Y se quedarán los pájaros cantando.
De «Corazón en el viento», em Poemas agrestes,
1910-1911.
quarta-feira, 24 de julho de 2019
terça-feira, 23 de julho de 2019
[0681] NUNO REBOCHO, POEMAS DE TERÇA-FEIRA (31) Nuno Rebocho, o amor cabo-verdiano
Do seu pequeno-grande livro "Rotxa scribida", ed. Rosa de Porcelana, 2019, o poema 6.º.
6.
de uma ilha a outra: as ilhas todas
nos mares que criamos
dentro do sentimento. mãos insulares
buscam istmos para o continente aquele
que os olhos solfejam
nas escarpas procuradas.
bocas insulares escancaradas de vontades
mesmo que agarradas
de uma ilha a outra. neguem os mares
a liberdade da viagem
que o pensamento passa e o vento passa
sobre as ilhas. sobre as ausências
nem a chuva arrefece a coragem.
mas ficamos nas ilhas. e nas ilhas ficamos
criando os mares. navegamos todavia.
segunda-feira, 22 de julho de 2019
[0679] Pepita Tristão publica pela primeira vez em Ibn Mucana, ela que já é bem nossa conhecida no blogue "Contos da Tinta Permanente"
CINZAS
(À minha mãe)
Foste frágil avezinha, saltitante
entre pétalas vermelhas de negra bomba,
caçula indefesa na selva inquietante
em tempos de fome, jogando à comba
Desabrochastes entre medos e alegrias,
no conforto da fé pueril e da mantilha
entre as gardénias de Machin e outras fantasias
dedilhaste paixões na tua guitarrilha
Moçoila atrevida – olé touro! - salerosa,
batom de sangue, rodopiando pela vida
rosa nos cabelos, morena misteriosa
desconcertante, recatada, explosiva.
Um dia encontraste-o. Deslumbramento!
Seguiste-o, cega, nos enleios do amor
apenas vendo rosas no caminho lento
pairando, sem sentir dos espinhos a dor
Despertaste do sonho num lar estranho
intrusa, estrangeira, incompreendida
lutaste, apagando as marcas do antanho
enquanto florescia em ti nova vida.
Já mãe, viveste alegrias e tristezas
na vida que pouco sorriu ao teu sonhar
Com as asas cortadas e poucas certezas
a esperança feneceu no teu olhar
Soltas amarras. Surge a Fénix ávida de vida.
Livre, perdeste o ter, ganhaste o Ser.
És mulher, mãe, companheira, amiga
e se soubesses lutar, poderias renascer.
Chegam os netos, promessas, esperança,
deleites renovados, sonhos e trabalhos.
Inexorável, castigador, o tempo avança
o corpo sente quando chega o orvalho.
A vida declina – onde estão as andorinhas?
Escoa-se o tempo. Azafamam-se as parcas.
Começaste a morrer no tempo das vinhas,
não quero que sofras não quero que partas.
A infame, chegou de mansinho... e te levou,
arrancando-te de meus braços, impotentes
e sem piedade o teu ser se transformou
nestas cinzas ainda quentes
7 de Março 2017
![]() |
| "Mother and Child", Mary Cassatt, c. 1889, CMA, EUA |
quarta-feira, 17 de julho de 2019
[0678] Genito Yokoluvango, a poesia dos anos de brasa
De seu nome André Eugénio Gervásio das Saudades, nasceu em 1956 em Sá da Bandeira, actual cidade do Lubango. Ingressou no quadro diplomático e exerceu funções diplomáticas nas Repúblicas de São Tomé, Côte d’Ivoire e China.
KOHALÊ
Sou do tempo,
do parto da Assembleia do Povo
do ventre do Cine Restaurador
Sou do tempo,
pensador despensado
irritando Mwanapôs
em cuecas
na rotunda do Aeroporto
Sou do tempo,
fino reco-reco
bué peixe-espada
ferra do no arroz d’água com sal,
montanha
Sou do tempo,
arrancador tremia as lâmpadas
todos dançavam
no dancing do Valito.
Cassete Maxwell
botão? gira na lapiseira!
Sou do tempo,
Camarada, Fantoche
também Lacaios do Imperialismo
Sou do tempo,
guerra-gelada
M’bumbu contra preto
Negro contra black
por trás,
gargalhadas White!
Sou do tempo,
milionário tinha cem dólares,
sentava no Tribunal
Revolucionário
Sou do tempo,
Kwanza Novo
ficava velho
no BFA do garrafão
Sou do tempo,
Percy Sledge
morava na Águia d’Ouro
machimbombo tinha paragem
do fiscal com relógio
Sou do tempo,
Camões de doji-quinhentos
engravidava mãe
da Latona
sem apelido,
só nome de santa
Sou do tempo,
no Parlamento
Al Capone Yetu Kazumbí
dois incisivos de elefante
no kafôcolo,
saiu.
Todos, ninguém viu!
Sou do tempo,
Tabuada ficava na cabeça
álcool ficava na garrafa,
agora !?
Sou do tempo,
Amor de sentimento
não se fazia
hoje, até dá azia.
Sou do tempo,
cortejo funeral
todo defunto era General.
Sou do tempo,
Provérbio 22.1
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