GUARDA A DOR DOS REBANHOS
Guarda a dor dos rebanhos
Para além das nuvens ao sol poente,
Acolhe os rebanhos à tua mente
Sem perceberes os seres que passam reais
E naturais ao sol poente.
Este te trouxe a dor do passado
Não redimido se bem que vivido;
Aquele outro é mais do teu agrado
Porque vem de futuro embebido,
Futuro para o qual a dor não faz sentido.
Cada qual é um destino sagrado:
Vê apenas o que não tem passado
Em cada coração que palpita agitado
Sem número, código ou nome,
Sem razão última ou coisa assim.
Para que os rebanhos sejam mil termos
Guarda a dor dos rebanhos.
E os toma como recebemos sem vermos
As sombras das nuvens ao sol poente.
Serás com os rebanhos mil seres,
E serás ainda ao sol poente.
Juergen Heinrich Maar, 02.12.1983
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Retrato de Fernando Pessoa, por Almada Negreiros, 1964 - Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa |
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