quarta-feira, 20 de maio de 2020

[0709] António Rosa e uma lengalenga "frustrante"

António Rosa
FRUSTRAÇÃO

João Folião
foi ao mercado comprar
um pião,
com quatro moedas
que tinha na mão.

Partiu o porquinho
e com mais um pouquinho
que deu tio João,
lá vai pelo caminho
com o seu dinheirão.

Também quer uma guita,
que seja bonita,
que faça um vistão.

Já se vê no meio
lá do quintalão,
durante o recreio
lançando o pião,
fazendo furor
entre os companheiros,
que ele é dos primeiros
em tal função.

Lançando por cima
ou até de carena,
já se vê na cena
como um campeão.

Tropeça na pedra,
quase cai no chão,
tal é sua pressa
de ter o pião.

Chegado ao mercado,
que desilusão.

Venderam o último,
instantes atrás,
a outro rapaz
lá do quarteirão.

sábado, 25 de abril de 2020

[0707] Nicolau Saião volta à carga em Ibn Mucana com excepcionalíssimo poema de 1986


COMO O OUTRO QUE DIZ (ao Mário Cesariny)

I

O que os meus olhos seguem nesta vida
tem mais perversidade do que manha.
Não está sempre perdida
não é sequer estranha.
É um pescoço
rodando lentamente para o lado da sombra
para o lado da barca dos primos de Cacilda
franja por franja correndo o espaço morto
tão depressa coitados como se fossem de mota
ou sobre o rio
sem margens
sem o batuque doido extremamente caligráfico
da água interior
dos nomes.

E os cabelos   os cabelos do mundo
estão sobretudo aqui
nesta cadeira branca simulando o silencio
a quinhentos quilómetros a oeste do mar
equidistante   gélida   submissa
detendo-se de súbito na sua própria agonia
muito perto   demasiado perto
do jardim diurno dos réprobos cuja candura
acende
e se dissolve
se dissolve sem mágoa
uma e outra vez   e ainda uma outra vez
no colo amarelíssimo de Rosaíris.

Escuta   por favor
escuta
não os enganemos    nunca
A voz que me sopra junto ao tímpano
vem de muito longe    vem de muito longe
tão morta como viva
e em vez de dizer arcano diz madrugada
e em vez de dizer o mundo diz fogo-fátuo
virgem    montanha    almofada
diz os catorze nomes que é proibido ouvir
diz o dia e a hora de todos os demónios
e um corpo que se agita por baixo das arcadas
no Alentejo da Europa dos automóveis por dentro
buscando a clareira imprecisa dos cemitérios
em Sintra   na Ericeira   nas ruas de Lisboa
nos locais onde canta a raparigataúde
imersa em claridade
em cuspo
em chuva.

No entanto, no entanto
é preciso sim senhor desesperar
digam lá por favor que é preciso
andar de novo ao longo da estrada de tijolo
adormecer cantando nos túneis    que maçada
e defecar do alto duma árvore
para cima da moleira de Adonai
depois olhar as estrelas que surgem dessa vasa
e recuar para o sítio onde o barco dissimula
a sua rama suja do Oceano
esperando a tardinha   o vento morno
a negra Primavera e o rei do bosque maldito
com barbas adejando como um estandarte louco
no seu retrato igual ao rosto do emparedado
na selva da distancia
que ninguém
nem mesmo nós
conhecemos.


II

Todavia o homem-mosca bate que bate
a a mulher-gafanhoto sopra que sopra
e o senhor-fantasma rema que rema
entraram já na casa inconquistável
e nada deixaram de pé
e eis que de repente há alguém que se interrompe
perto do braço-bandeira a oriente da aurora
e tudo fica escuro, serenamente
como colunas raras de cimento
na cauda sexual do elefante por fora
cujas presas bem limpas desfizeram o dia
levemente atmosférico
sobre a areia do universo   no país onde o choro
é só até ao estômago
e alguém espera   tremendo   que o fresco sangue de Alceste
o outro sangue
seja a calamidade e a angústia
que não vão de avião para nenhum deserto
nenhum glaciar horrificado
nenhuma cama especiosa nenhum comboio sem lágrimas
nenhuma taberna de Alcântara onde o sarro dos anos
se descobre no salto da pantera
que galga o passeio de azeitona na boca
de axilas escurecidas
cujo suor excessivamente espesso
é bem o resultado fiel do habitante da cubata
com um diamante escondido numa ferida
o filho infiel da oração dos marinheiros de outrora
a rua do mundo que desemboca numa laje circular
em frente do lago pútrido
aguardando sem minutos desaproveitados
os que gemem  os que se cobrem de negrume
os que nada querem imenso
e só sabem sonhar em termos de ave ou de horizonte
de rato semimorto encontrado num jardim
de árvore
de meio-homem de Epaminondas os sustos
duma Lisboa sem língua
de janela de um país efémero
de constelação trepa que trepa, enfim
de mancebo de pouco futuro desaparecido
de todos os barulhos da Terra.

Mas convém, ó meus amigos de infinito
que tudo seja aquilo que sabemos
e fazemos
o perfil ardente sorvendo o rio trovejante do mundo
a garganta trémula dos lobos ao longo dos carris
sob os tectos
da cidade repleta de ferrugem
e cal tocando o horizonte
ferido como o braço rasgado arrastando sangrentos
embrulhos para a campina solitária
para a babugem da praia na linha de água do mar
onde os peixes ficaram nessas pedras nesses recantos
tão conhecidos por Ahab, o capitão louco
e o seu tubarão vermelho.

Entretanto o poeta cabisbaixo os bantus e as aves
lá vão ao longo das avenidas
nesses táxis que usávamos sob um trémulo firmamento
na Praça do Intendente onde numa noite de repente
as palavras mais simples se velaram nos nossos lábios
como os de Bulgakov, como se fossem de Margarita.

E uma luz assombrada
abominável     aos solavancos
crescia em todos os pontos cardeais
em todas as coisas que se divisavam
ao vicejar da treva
entre os degraus dum largo sem nome e sem lugar
na mão tremeluzente, na chave de novo achada
para trespassar todos os símbolos
quando o homem de cinzento erguia no seu chapéu
entontecido e prestes a partir
uma agonia lírica, clássica, regionalista

para todos os rostos destroçados.


NICOLAU SAIÃO
[na folha volante de Agosto.1986 do “Bureau Surrealista Lisboa Alentejo” de MC/ns]


sexta-feira, 24 de abril de 2020

[0706] Um poema "abrílico" de Nicolau Saião, em cima da data


ABRIL ANTECIPADO

Em Lisboa, na rua
do Alecrim, recordo-me como
se fosse hoje: uma casa
sombria, onde foi bom ficar
minutos e minutos entre memórias
quotidianas de velhos alfarrábios, livros
para passeios vulgares de compra e venda. Ali
parei. Como um barco, uma nuvem, uma presença
obscura de gentes para sempre perdidas, nessa
humilíssima loja me detive: o pó, o ping-pong
da conversa. E veio a esperança saltando sobre nós
como se o oceano nos tocasse nos olhos, lembranças
de Índias sem pimenta e sangue. E logo, por acaso
um estrondo lá fora. Mistério. Cumplicidade. E assim
tive tempo de Abril antecipado na fala do colega
de amargura: “Ainda não é a bernarda, caro amigo. Podes continuar
a ver os livros que aí estão. Ainda (que chatice!)
está por anos!”. Nessa tarde, numa
vendedeira de rua, comprara pêssegos. Era
em Julho. Nas caras que passavam pareceu-me distinguir
por entre o resto todo, agonia e raiva. Homens, mulheres
crianças como em todos os tempos. Senti então, enquanto
no Tejo tombava um sol devastado, que um dia
um estrondo não seria apenas o dum pneu que estoira. O coração
tivera, pobre dele, Abril antecipado e, aberto
ficava de conserva mais uns tempos, criando
talvez outras janelas para todos os lados, esperando
para todas as horas a hora enfebrecida como um sulco de lume
nas espáduas dos amantes. A hora
ardente e dura como cimento secular. Foi isto em
setenta e dois. Depois
a vida continuou, vaga e solene, tenaz e sonolenta. Tive
amores e amigos mortos, alguns suicidados, outros
feridos de pasmo e solidão. E rochedos erguidos
nos caminhos do mundo. E quando Abril chegou
com seus favos, seus deuses, suas flores
suas praias, seus bosques, sua chuva benigna
a memória da esperança não morrera. O poeta fala
no tempo. É seu o tempo imenso
dos vivos e dos mortos, dos que nunca
contemplaram face a face o seu destino. Por ser um espelho
ardido, é a palavra. O signo do instante destruído. Foi
o Abril dos ombros curvados que me deu Abril.
Mesmo que Abril nada me desse, senão
senão esta tristeza de tão pouco
Abril ter sido para uma sede de primaveras, feitas
para o pão, para o riso, para o tempo intacto
do livre Verão dos homens sob as estrelas de Agosto.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

[0705] "Relíquia", de Nicolau Saião


RELÍQUIA

Onde está o silêncio onde jaz o silêncio?
Não neste braço   sujo   cortado
Não neste tapete espesso   neste bloco de apontamentos
onde se cruzam insultos   rimas
Não no pequeno perímetro das veias

- afinal tudo tudo entre nuvens de carbono
semelhantes a um bafo de camponês sobre a neve
onde se esmagavam insectos e excrementos de lobo
O primo velho outrora mo ensinara num mês adolescente.

Onde  em que ilha de desolação
sufocado  incerto  esse silêncio soberano
onde jaz    cerzido por traços de faca de pedra
Não   não o barulho de um passo que caminha para a beleza dum rosto
saindo de um vazadouro para a lama musgosa da margem
Brilhante como celofane

O silêncio que respira
Sim o silêncio morno de quem procura o vazio
ou de quem busca uma cor imersa na carne recordada
da mão faminta    de muitos negrumes alheios

O silêncio que se recolhe
que se desdobra
que nos relembra de momentos e perdas
O silêncio que permutamos
O silêncio para além da luz   entre os olhos de uma fera morta.

sexta-feira, 20 de março de 2020

[0703] "Despedida", tocante poema de Pepita Tristão


DESPEDIDA
Pepita Tristão


Fui ao multibanco das emoções
De onde retirei o carinho
que me restava
de toda uma vida a amar-te.
Comprei-te um bolo cheio de creme
como gostas
- a doçura faz parte do teu ADN -.
Saboreaste-o naquela esplanada
de jardim, rodeada de árvores
sob os trinados de mil e uma aves
azuis e verdes de uma moldura
ponteada de variegadas cores.
Em uníssono rimos e aplaudimos
o espectáculo da natureza
a renascer
neste Carnaval da vida.
Depois disse-te adeus
e tu sorriste, aliviado.

Renoir, "Les fiancés" (ou "Le ménage Sisley"), 1868

quinta-feira, 19 de março de 2020

[0702] Um belo poema de Nicolau Saião, o bardo de Portalegre


ANUNCIAÇÃO
Nicolau Saião


As mulheres do vento   parado como um planeta extinto
as mulheres doentes   as mulheres que cantam com surpresa
o seu vestido estranho como uma renda   como uma absurda mancha
as mulheres do meu dia como um peso de cores distintas

entre mim e o céu

Entram pela minha boca e censuram-me docemente

Aqui, diz uma, puseste o horror de um velho instante
ali, diz outra, não deixaste repousar os devaneios
Há uma que paira, como se me fitasse a direito, com as mãos
junto da testa, perto dos olhos, os lábios palpitando
estremecendo como uma pétala sobre a água
Mulheres de negro, afagando pastas de couro em lojas improváveis
escrevendo em papéis antigos fórmulas de gentileza
Mulheres que a diabetes assolou como praga medieval
mulheres de pernas como lírios rosados
andando ao longo duma estrada francesa
as árvores coloridas formando uma cortina imprecisa

Job de rosto erguido amargo senhor das angústias
a sua face trémula tão igual à do Senhor na noite de suor e remorsos
a sua mulher por detrás, arrepanhando as vestes

Dizei-me mulheres  onde com que luz a vossa fotografia se encarquilhou
na madeira queimada das velhas casas onde medrava a guerra
Vós sois o sustento dos pontos cardeais

Lembro-me de ti, Marion, o rosto rodando como um guindaste
e o fumo que soltavas com um meneio elegante da mão esquerda
o fumo espalhado no parque abandonado
os olhos tranquilos frios
A rua solitariamente sob a noite de Junho
e o cão o velho cão dos bosques que trotava muito devagar

A vossa figura palpitante, mulheres, irisada obscura
à luz frouxa da manhã   e o frio subindo até às portas como um animal
a morrer.
                                                                                           (Bruxelas, 1999)

Pablo Picasso, "Les demoiselles d'Avignon", 1907

quarta-feira, 18 de março de 2020

[0701] Na reabertura do IM, um poema de Joaquim Saial


A ÚNICA PREOCUPAÇÃO
Joaquim Saial


Ele não questionava a existência de Deus
nem o perigo atómico.
Muito menos, a origem dos fogos florestais,
a pesca desenfreada das baleias,
as alterações climáticas,
os parcos aumentos dos funcionários públicos,
a gentrificação de Lisboa
ou a passagem da Rua Augusta a circo.
Nem sequer o vírus maldito das muitas mortes,
a grande praga do início do século XXI.

Ora, ora, queria lá ele saber disso tudo.

O que o preocupava,
o que o afligia mesmo,
o que não o deixava dormir,
sossegar sequer um minuto,
era que lhe riscassem o carro estacionado na rua,
aquele belo espadalhão azul mate,
comprado com tanto sacrifício.


[0700] Post 700 do Ibn Mucana

Este blogue nasceu da amizade do actual administrador com o poeta, jornalista e radialista Nuno Rebocho. Juntos, fizemos a divulgação de vasto número de poemas e poetas de língua latina (lusófonos, em particular). Desaparecido o Nuno a 12 de Janeiro deste fatídico ano de 2020, o blogue entrou em alguma pausa, pois era ele quem enviava os materiais que aqui colocávamos, num bem oleado sistema de um fornece a matéria-prima e o outro a mão-de-obra. Passados dois meses, é tempo de reanimar o Ibn Mucana e para isso contamos com a maioria dos que aqui têm tido lugar. De certo modo, o poema de José Luiz Tavares inserido no post anterior já é um prenúncio disso.

Enviem-nos poemas vossos, inéditos de preferência (obviamente sem obrigatoriedade de o serem), uma fotografia, uma biografia de meia dúzia de linhas e avançaremos, honrando o passado do IM e a memória do nosso amigo.

Por vós esperamos, neste dia em que, por via deste, atingimos o post 700

[0699] Poema de José Luiz Tavares, em período de cerco

Foto Nuno Portela
José Luiz Tavares nasceu a 10 de junho 1967, no Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde. Estudou literatura e filosofia em Portugal, onde vive. Entre 2003 e 2020 publicou catorze livros espalhados por Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Colômbia. Recebeu uma dezena de prémios atribuídos em Cabo Verde, Brasil, Portugal e Espanha. Não aceitou nenhuma medalha ou comenda, até agora. Traduziu Camões e Pessoa para a língua cabo-verdiana. Está traduzido para inglês, castelhano, francês, alemão, mandarim, neerlandês, italiano, catalão, russo, galês, finlandês e letão. Sobrevive ao tempo do mundo sem estar conectado a nenhuma rede social.


FINDA
[Litania em tempos de coronavírus]

Depois, sim, que agora
estamos vivos.
Depois — quando o espirro
expirar.
Depois — quando tiveres
pó na goela.
Não agora — que agora
estamos vivos.

Antes, sim, com os braços
portentosos.
Antes - sim – de a fraqueza
noivar com eles. Depois, sim,
porque há ar no ar
e a despedida é sem desculpa
e sem tristeza.

Antes não, que te falta
o assobio e a trela,
e a cara é sem rugas,
e a morte concorda contigo,
e tudo é mão de amigo
mesmo se te espreita
o tempo inimigo.

Depois sim, que estar vivo
é cedo encarquilhar-se;
não, não agora, porque estás
no impenetrável interior,
e desconheces o limite ulterior,
e não sabes pedir por favor
o socorro amplamente publicitado.

Agora sim,
que é antes de toda a dor,
                         ainda no corpo tens cor,
                         e sobe-te  à boca
                         centos de sabores.

Mas ainda não ao grande sim,
porque maravilha-te estar aqui
(só mais um instantinho),
embora penses na mão da eternidade
ou como é doce o despenhamento.

Antes não
— porque há a verdade
que desconheces,
e porque realmente não sabes
tudo desejas devotamente.

Não ainda — que os teus ossos
não sabem a alcatrão,
nem depois — que o esqueleto
é pertença do patrão.

Não depois,
mas agora sim,
porque tens fogo nas ventas,
mascas pó e polenta,
e o tempo inimigo te diz
que tudo se há de compor.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

[0691] Faleceu ontem em Mafra, o nosso amigo e colega de escrita Nuno Rebocho


Nuno Rebocho (1945, Queluz, Sintra, Portugal – 12.Janeiro.2012, Mafra, Portugal) foi um escritor, poeta, homem da rádio e jornalista. Participou na luta contra o Estado Novo de Salazar, chegando a ser preso durante cinco anos, por motivos políticos, na cadeia do Forte de Peniche.

Iniciou sua carreira na página juvenil do Diário de Lisboa, em 1963. Foi redactor da revista O Tempo e o Modo e da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, porém só viria a ingressar no jornalismo profissional em Abril de 1974 em jornais diários como o Jornal NovoTribunaA TardeJornal de EconomiaO Século e nos semanários Vida MundialNovo ObservadorO SinalDez de Junho e Ideal. E também em revistas especializadas - Pesca & NavegaçãoTT-Todo o TerrenoMotor (foi director do suplemento de Turismo). Presença activa na imprensa regional - Notícias da AmadoraComércio do Funchal, foi chefe de redacção de A Ponte (Montijo) e A Nossa Terra (Cascais). Desempenhou funções diversas - redactor principal, chefe de secção, sub-chefe de redacção, chefe de redacção. Em 1989 enveredou pelo jornalismo radiofónico, colaborando com Moliceiro FM (Aveiro), cronista da Rádio Comercial (programa de Turismo, de Carlos Amorim; programa de Rui Castelar) e de comentador. Ingressou na RDP (Radiodifusão Portuguesa), destacado para a Guarda durante um ano. Depois, foi editor, chefe do departamento de Informação Especial e chefe de redacção da RDP - Antena 2. Integrou conselhos de redacção e a Comissão de Trabalhadores da empresa radiofónica. Em Cabo Verde, colaborou com o semanário Horizonte, com Expresso das ilhas e com Liberal on-line (de que foi delegado em Lisboa) e foi assessor da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago. Integrou os órgãos dirigentes da AJEPT, Associação de Jornalistas Portugueses de Turismo. Participou com poesia no tríptico de serigrafias de Silva Palmeira "A Lisboa", Centro Português de Serigrafias. Lisboa 1997. Foi comissário da Bienal do Mediterrâneo, Dubrovnik, Croácia, 1999. Animador cultural, organizou A Festa da Poesia, na Galeria Artdomus, S. Pedro de Sintra em 2000-2001; As Noites da Liberdade, na Biblioteca Museu da República e Resistência, Lisboa em 2005; A Poesia à Mesa, no restaurante Panela de Barro, Carnaxide em 2006. Foi vice-comissário da Festa da Poesia - Encontros de Poetas Portugueses, na Figueira da Foz em 2003/4/5. Organizou o Dia Mundial da Poesia, em 2006, em Penamacor. Participou nas Jornadas Poéticas de Artiletra (Cabo Verde), 2007; em Correntes d'Escrita, Póvoa do Varzim, 2007; na I Bienal de Cultura Lusófona-Encontro de Culturas, Malaposta-Odivelas 2007. Foi membro efectivo da AVSPE (Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores).

Autor de "Breviário de João Crisóstomo", "Uagudugu", "Memórias de Paisagem", "Invasão do Corpo", "Manifesto (Pu)lítico", "Santo Apollinaire, meu santo", "A Nau da Índia", "A Arte de Matar", "Cantos Cantábricos", "Poemas do Calendário", "Manual de Boas Maneiras", "A Arte das Putas" (poesia), "Estórias de Gente" (crónicas), "O 18 de Janeiro de 1934", "A Frente Popular Antifascista em Portugal", "A Companhia dos Braçais do Bacalhau" (investigação histórica), "Canções Peripatéticas" e "Histórias da História de Santiago (Cabo Verde)" (com prefácio de Joaquim Saial), entre outros. O seu derradeiro livro publicado em vida foi "A Ilha de Amianto". Está representado em diversas antologias e colectâneas em Portugal, Espanha e Brasil. Tem colaborado em catálogos para exposições de artes plásticas: Ramón Catalan, Deolinda, Carlos Eirão, Alfredo Luz, Edgardo Xavier, João Alfaro, Maria José Vieira, Ricardo Gigante, Ana Horta, Isabel Teixeira de Sousa, Nuno Medeiros, Viana Baptista, Teresa Ribeiro, Rico Sequeira, João Ribeiro, José Manuel Man.

O seu primeiro trabalho póstumo será o prefácio do livro "Poemas para a hora de ponta", editora Cordel d'Prata, de Joaquim Saial, a sair em Vila Viçosa a 25 deste mês de Janeiro e a 15 de Fevereiro em Lisboa.